Por que Freud desaconselhava a análise depois dos 50
No texto "Sobre a psicoterapia", de 1905, Freud escreveu que pessoas por volta dos 50 anos teriam menos plasticidade psíquica e um volume grande de material a ser trabalhado. Por isso, ele via com reservas a análise nessa idade.
Era uma visão de seu tempo, quando a expectativa de vida era bem menor e os 50 anos marcavam o fim da vida ativa. Ao longo do século XX, analistas passaram a atender pessoas mais velhas e perceberam que o trabalho era possível e fecundo.
Por que a visão mudou: o inconsciente não envelhece
Porque o inconsciente não segue o calendário. As questões que movem uma pessoa continuam ativas aos 60, aos 70 ou aos 80 anos.
A razão principal
Desejo não tem idade
Vontades, medos e perguntas sobre a própria vida continuam vivos na maturidade.
Razão
Vida mais longa
Com a expectativa de vida maior, os anos depois dos 60 são uma fase inteira a ser vivida.
Razão
Mais história para contar
A experiência acumulada traz material rico para a análise.
Razão
Novas perguntas
A maturidade abre questões que antes não tinham lugar.
Temas que costumam aparecer na análise depois dos 60
Cada pessoa traz a sua história, mas alguns temas são frequentes nessa fase da vida.
| Tema | Como costuma aparecer | O que a análise oferece |
|---|---|---|
| Aposentadoria | Perda de rotina, de papel e de identidade | Espaço para pensar quem se é além do trabalho |
| Lutos | Perda de parceiros, amigos, irmãos | Tempo para elaborar a perda, sem pressa |
| Corpo | Mudanças na saúde e nos limites | Fala sobre o que o corpo impõe e o que ainda é possível |
| Família | Filhos que se afastam, netos, novos papéis | Repensar o lugar ocupado na família |
| Finitude | Pensamentos sobre o tempo que resta | Um lugar para falar do que costuma ser silenciado |
Os temas são exemplos; cada análise segue a fala de quem chega.
Como funciona o atendimento para pessoas mais velhas
A análise depois dos 60 segue os mesmos princípios de qualquer análise: fala livre, escuta, sigilo e regularidade. Alguns cuidados práticos ajudam.
Acesso e conforto
A clínica no Taquaral tem acesso fácil, perto da Lagoa. Quando o deslocamento é difícil, o atendimento online pode ser uma alternativa, com ajuda da família para a primeira conexão se preciso.
A família no começo
Muitas vezes é um filho ou filha quem faz o primeiro contato. Depois disso, a análise é da pessoa, com sigilo, como em qualquer idade.
Junto com outros cuidados
A análise pode caminhar junto com o acompanhamento médico, inclusive psiquiátrico ou geriátrico, sem interromper tratamentos.
Mudanças de memória
Esquecimentos que pioram rápido pedem avaliação médica primeiro.
Isolamento intenso
Deixar de sair e de ver as pessoas é um sinal para não esperar.
Tristeza que não passa
Desânimo persistente merece atenção de um profissional.
Pensamentos de desistir
Ideias de não querer mais viver pedem ajuda imediata.
Se você estiver em sofrimento intenso ou em risco imediato, não espere o início de um atendimento. Ligue 188 para o Centro de Valorização da Vida (CVV), 24 horas, ou 192 para o SAMU.
Família e maturidade
Se você é filho ou filha e quer ajudar pai ou mãe a começar, leia como ajudar pai ou mãe a começar uma análise.
Para outras fases da família, veja quando o adolescente precisa de terapia. No NUAMCE, a psicanálise para idosos acontece no Taquaral ou online, coordenada pelo psicanalista Daniel Gostautas.