Os pais participam da terapia infantil?
Participam, e essa participação é parte do trabalho. Na psicanálise com crianças, os pais são ouvidos porque a criança vive dentro de uma família, e a história dela passa pela história deles.
Ao mesmo tempo, a criança precisa de um espaço só seu. Por isso, a participação dos pais tem momentos e limites definidos, combinados desde o início.
Como funciona a psicanálise infantil, etapa por etapa
O caminho costuma ter três momentos que se alternam. Cada um tem um objetivo.
| Etapa | Quem participa | Para que serve |
|---|---|---|
| Entrevistas iniciais | Os pais, sem a criança | Contar a história, as preocupações e o que motivou a procura |
| Sessões da criança | A criança e o psicanalista | Brincar, desenhar e falar no espaço que é dela |
| Retornos com os pais | Os pais, em encontros combinados | Conversar sobre o percurso, sem relatar o que a criança disse |
| Conversas pontuais | Pais e psicanalista, quando necessário | Mudanças na rotina, na escola ou na família |
A frequência dos retornos é combinada com o psicanalista.
O que acontece nas sessões da criança
A criança se expressa principalmente pelo brincar. Brinquedos, desenhos e jogos são a forma como ela fala do que vive.
O centro do trabalho
O brincar
Para a criança, brincar é falar. Na brincadeira aparecem medos, conflitos e desejos que ela ainda não sabe dizer.
Na sessão
O desenho
Desenhos ajudam a contar histórias que as palavras ainda não alcançam.
Na sessão
A fala
À medida que cresce, a criança passa a falar mais diretamente do que sente.
Na sessão
O sigilo
O que a criança traz fica entre ela e o psicanalista, para que ela possa confiar.
Veja como funciona o atendimento com o psicanalista infantil em Campinas, em sala preparada para o brincar no Taquaral.
O que os pais podem fazer durante o tratamento
A participação dos pais vai além dos encontros com o psicanalista. Alguns cuidados ajudam o trabalho a acontecer.
- Manter a regularidade das sessões, mesmo nas semanas difíceis
- Contar ao psicanalista mudanças importantes na família
- Não perguntar à criança o que ela falou na sessão
- Falar das próprias angústias nos retornos, e não diante da criança
Às vezes, os pais percebem que também precisam de um espaço próprio. Isso é comum e pode ser conversado com o psicanalista.
Dúvidas e cuidados frequentes
Algumas situações costumam gerar dúvidas nos pais.
Querer saber tudo
É natural, mas o sigilo é o que permite à criança falar com liberdade.
Esperar mudanças rápidas
Cada criança tem o seu tempo, e não há prazo para o trabalho.
Usar a terapia como castigo
A sessão não deve ser apresentada como punição por comportamento.
Sinais de risco
Se a criança fala em se machucar, procure ajuda imediata.
Se você estiver em sofrimento intenso ou em risco imediato, não espere o início de um atendimento. Ligue 188 para o Centro de Valorização da Vida (CVV), 24 horas, ou 192 para o SAMU.
Família em diferentes fases
A participação da família muda com a idade. Na adolescência, o jovem ganha mais autonomia no tratamento. Leia quando o adolescente precisa de terapia.
E quando a preocupação é com pais mais velhos, o caminho é outro. Veja sobre a psicanálise depois dos 60. A clínica é coordenada pelo psicanalista Daniel Gostautas.