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Freud e Lacan

Transferência na psicanálise: por que o vínculo com o analista importa?

Resposta rápida

A transferência na psicanálise é o vínculo que se forma entre o paciente e o analista, no qual a pessoa revive, sem perceber, afetos e modos de se relacionar que vêm da sua história. Freud a descobriu como obstáculo e depois a reconheceu como motor da análise. Lacan a ligou à figura do sujeito suposto saber. É ela que sustenta o trabalho analítico.

Duas poltronas frente a frente em sala de atendimento do NUAMCE, à espera da sessão
Nesta página
  1. O que é transferência na psicanálise
  2. De Freud a Lacan: como o conceito se desenvolveu
  3. Por que o vínculo com o analista importa
  4. O sujeito suposto saber
  5. Transferência no dia a dia da análise
  6. Outros conceitos ligados à transferência
  7. Perguntas frequentes

O que é transferência na psicanálise

É a ligação afetiva que o paciente estabelece com o analista ao longo da análise. Ela pode aparecer como confiança, carinho, irritação, medo de decepcionar ou vontade de agradar.

Esses afetos não nascem do nada. Eles repetem, na relação com o analista, formas de se relacionar que a pessoa construiu com figuras importantes da sua vida. Por isso, a transferência é um caminho privilegiado para o inconsciente.

De Freud a Lacan: como o conceito se desenvolveu

A transferência foi um dos primeiros conceitos da psicanálise e ganhou novas leituras ao longo do tempo.

A transferência de Freud a Lacan
MomentoAutorIdeia central
Primeiras observaçõesFreud, anos 1890Pacientes dirigiam ao médico afetos de outras relações
A dinâmica da transferência (1912)FreudA transferência pode ser resistência e também condição do tratamento
Recordar, repetir e elaborar (1914)FreudO que não é lembrado é repetido na relação com o analista
Os quatro conceitos fundamentais (1964)LacanA transferência se liga ao sujeito suposto saber

As datas indicam textos e seminários de referência para o estudo do conceito.

Esses textos fazem parte do estudo dos conceitos freudianos na Escola NUAMCE.

Por que o vínculo com o analista importa

Porque é na transferência que a análise acontece. Sem esse vínculo, a fala livre não encontra quem a sustente.

O ponto central

Permite falar do difícil

A confiança no analista torna possível dizer o que nunca foi dito.

Importância

Revela o que se repete

O modo de se relacionar com o analista mostra padrões que aparecem em outras relações.

Importância

Sustenta a continuidade

Nos momentos difíceis da análise, o vínculo ajuda a pessoa a voltar.

Importância

Abre a elaboração

Ao falar da transferência, a pessoa pode elaborar o que antes só repetia.

O sujeito suposto saber

Para Lacan, a transferência se instala quando o paciente supõe que o analista sabe algo sobre o seu sofrimento. Essa suposição põe a análise em movimento.

O analista não ocupa esse lugar para dar respostas prontas. Ele o sustenta para que o próprio paciente possa produzir um saber sobre si, ao longo do trabalho.

Transferência no dia a dia da análise

Para quem está em análise, a transferência aparece em detalhes do cotidiano das sessões.

  • Atrasos ou faltas em momentos difíceis
  • Vontade de agradar ou de ser aprovado pelo analista
  • Irritação com algo que o analista disse ou não disse
  • Sensação de já ter vivido aquela cena antes

Falar dessas reações na própria sessão é parte do trabalho. Elas não são problema: são material da análise.

O analista não responde como amigo

A abstinência do analista protege a análise, e não é frieza.

Sentimentos intensos são comuns

Amor ou raiva pelo analista podem aparecer e devem ser falados.

Limites éticos

O analista nunca usa a transferência em benefício próprio.

Mudar de analista

É possível, mas vale falar antes sobre o incômodo na sessão.

Outros conceitos ligados à transferência

A transferência se articula com outros conceitos da clínica. Veja o conceito de gozo em Lacan e as estruturas clínicas em neurose, psicose e perversão. Para os termos básicos, consulte o glossário de psicanálise.

No NUAMCE, a orientação é freudo-lacaniana, com coordenação do psicanalista Daniel Gostautas.

Se você estiver em sofrimento intenso ou em risco imediato, não espere o início de um atendimento. Ligue 188 para o Centro de Valorização da Vida (CVV), 24 horas, ou 192 para o SAMU.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre transferência

Respostas sobre o que é transferência e o vínculo com o analista.

O que é transferência em palavras simples?

É o vínculo afetivo com o analista, em que se repetem formas de se relacionar vindas da história de cada pessoa.

É normal se apegar ao analista?

É comum. Esses afetos fazem parte da transferência e podem ser falados na própria sessão.

Existe transferência na análise online?

Sim. O vínculo se forma pela voz, pela escuta e pela regularidade dos encontros, também pela tela.

O que é contratransferência?

É o que o caso desperta no analista. Ele leva essas questões para a própria análise e para a supervisão.

Onde estudar o conceito de transferência?

Nos textos técnicos de Freud e no Seminário 11 de Lacan. A Escola NUAMCE estuda esses textos em grupo.

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