O que é transferência na psicanálise
É a ligação afetiva que o paciente estabelece com o analista ao longo da análise. Ela pode aparecer como confiança, carinho, irritação, medo de decepcionar ou vontade de agradar.
Esses afetos não nascem do nada. Eles repetem, na relação com o analista, formas de se relacionar que a pessoa construiu com figuras importantes da sua vida. Por isso, a transferência é um caminho privilegiado para o inconsciente.
De Freud a Lacan: como o conceito se desenvolveu
A transferência foi um dos primeiros conceitos da psicanálise e ganhou novas leituras ao longo do tempo.
| Momento | Autor | Ideia central |
|---|---|---|
| Primeiras observações | Freud, anos 1890 | Pacientes dirigiam ao médico afetos de outras relações |
| A dinâmica da transferência (1912) | Freud | A transferência pode ser resistência e também condição do tratamento |
| Recordar, repetir e elaborar (1914) | Freud | O que não é lembrado é repetido na relação com o analista |
| Os quatro conceitos fundamentais (1964) | Lacan | A transferência se liga ao sujeito suposto saber |
As datas indicam textos e seminários de referência para o estudo do conceito.
Esses textos fazem parte do estudo dos conceitos freudianos na Escola NUAMCE.
Por que o vínculo com o analista importa
Porque é na transferência que a análise acontece. Sem esse vínculo, a fala livre não encontra quem a sustente.
O ponto central
Permite falar do difícil
A confiança no analista torna possível dizer o que nunca foi dito.
Importância
Revela o que se repete
O modo de se relacionar com o analista mostra padrões que aparecem em outras relações.
Importância
Sustenta a continuidade
Nos momentos difíceis da análise, o vínculo ajuda a pessoa a voltar.
Importância
Abre a elaboração
Ao falar da transferência, a pessoa pode elaborar o que antes só repetia.
O sujeito suposto saber
Para Lacan, a transferência se instala quando o paciente supõe que o analista sabe algo sobre o seu sofrimento. Essa suposição põe a análise em movimento.
O analista não ocupa esse lugar para dar respostas prontas. Ele o sustenta para que o próprio paciente possa produzir um saber sobre si, ao longo do trabalho.
Transferência no dia a dia da análise
Para quem está em análise, a transferência aparece em detalhes do cotidiano das sessões.
- Atrasos ou faltas em momentos difíceis
- Vontade de agradar ou de ser aprovado pelo analista
- Irritação com algo que o analista disse ou não disse
- Sensação de já ter vivido aquela cena antes
Falar dessas reações na própria sessão é parte do trabalho. Elas não são problema: são material da análise.
O analista não responde como amigo
A abstinência do analista protege a análise, e não é frieza.
Sentimentos intensos são comuns
Amor ou raiva pelo analista podem aparecer e devem ser falados.
Limites éticos
O analista nunca usa a transferência em benefício próprio.
Mudar de analista
É possível, mas vale falar antes sobre o incômodo na sessão.
Outros conceitos ligados à transferência
A transferência se articula com outros conceitos da clínica. Veja o conceito de gozo em Lacan e as estruturas clínicas em neurose, psicose e perversão. Para os termos básicos, consulte o glossário de psicanálise.
No NUAMCE, a orientação é freudo-lacaniana, com coordenação do psicanalista Daniel Gostautas.
Se você estiver em sofrimento intenso ou em risco imediato, não espere o início de um atendimento. Ligue 188 para o Centro de Valorização da Vida (CVV), 24 horas, ou 192 para o SAMU.