Por que repetimos os mesmos erros nos relacionamentos
Porque o que não foi elaborado tende a voltar. Freud observou que as pessoas repetem em ato aquilo de que não conseguem se lembrar ou falar.
Assim, um medo antigo de abandono, uma forma de amar aprendida cedo ou um conflito familiar podem se reapresentar em relações novas. A pessoa sente que "sempre acontece a mesma coisa" e não entende por quê. Isso tem nome na psicanálise: repetição.
Como a repetição aparece no dia a dia
Ela raramente é óbvia. Costuma surgir em cenas que se parecem, mesmo com pessoas e contextos diferentes.
O padrão mais citado
Escolher sempre o mesmo tipo
Parceiros diferentes com o mesmo jeito de se relacionar, como se a escolha seguisse um molde.
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Terminar sempre do mesmo jeito
Relações que acabam no mesmo ponto, pelo mesmo motivo, depois de um tempo parecido.
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Ocupar sempre o mesmo lugar
Ser sempre quem cuida, quem cede ou quem é deixado, em casa, no trabalho e no amor.
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Brigas que se repetem
Discussões com o mesmo enredo, que parecem começar do nada e terminam iguais.
Esses exemplos são gerais e não descrevem pessoas reais. Eles ajudam a reconhecer situações, não a dar diagnóstico.
O que está por trás do padrão
A psicanálise não busca um culpado, mas o sentido da cena que se repete. Algumas perguntas costumam ajudar a pensar.
- Que cena antiga esta situação me lembra?
- Que lugar eu costumo ocupar nas minhas relações?
- O que eu temo perder quando me relaciono?
- O que eu não consigo dizer a quem está perto?
A repetição também se liga a outros sofrimentos. Quando ela vem com preocupação constante, vale ler como a psicanálise compreende a ansiedade; quando invade a rotina, veja a ansiedade na rotina.
Como a análise trabalha com a repetição
Na análise, a repetição não é só tema de conversa: ela aparece na própria relação com o psicanalista. É o que se chama de transferência.
Falar das cenas
Ao contar as relações, a pessoa começa a notar semelhanças que antes passavam despercebidas. O que parecia acaso ganha contorno.
Perceber a repetição na sessão
Atrasos, silêncios e expectativas em relação ao analista podem reproduzir o padrão. Falar disso, no momento em que acontece, é uma das forças da análise.
Abrir outras escolhas
Reconhecer o padrão não o elimina de uma vez. Mas abre espaço para que a pessoa escolha de outro modo, no seu tempo, sem promessas de prazo.
Erros comuns ao tentar sair do padrão
Algumas tentativas, embora compreensíveis, costumam manter a repetição no lugar.
Culpar só o outro
Quando o problema é sempre o parceiro, a parte que nos cabe fica sem ser olhada.
Culpar só a si
A autocrítica dura também paralisa e não ajuda a entender o padrão.
Fugir das relações
Evitar se envolver protege por um tempo, mas não muda o que se repete.
Buscar a resposta pronta
Testes e listas podem ajudar a pensar, mas não substituem a escuta.
Se você estiver em sofrimento intenso ou em risco imediato, não espere o início de um atendimento. Ligue 188 para o Centro de Valorização da Vida (CVV), 24 horas, ou 192 para o SAMU.
Quando procurar ajuda
Quando você percebe que o mesmo enredo volta e traz sofrimento, ou quando as relações passam a pesar mais do que acolher.
No NUAMCE, a análise para quem procura para si acontece no Taquaral ou online, coordenada pelo psicanalista Daniel Gostautas, de orientação freudo-lacaniana.